Começa nesta semana a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2010, que deve mostrar os maiores crescimentos de resultados operacionais na comparação anual desde o início da crise. Os números vão refletir a expansão da economia, além de se comparar com uma base muito fraca do ano passado. O primeiro trimestre de 2009 foi praticamente de paralisação na atividade econômica global após a quebra do banco americano Lehman Brothers.
A expansão dos números deve ser generalizada e alcançar os vários setores da economia, das companhias ligadas ao consumo até as empresas de commodities. As exportadoras, contudo, devem ainda mostrar desafios importantes, pois a economia internacional não se recuperou na mesma velocidade que a doméstica, e o câmbio recuou fortemente de 2009 para 2010 - queda de 23%, para R$ 1,78.
"Os setores ligados ao PIB [Produto Interno Bruto], como varejo e consumo, vão ter forte expansão", destaca Oswaldo Telles, chefe de análise da Banif Corretora. "O ritmo atual é de crescimento de 8% da economia", acrescenta.
Entre as exportadoras, o mercado de atuação vai fazer diferença. Para Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora, as companhias que exportam para a Europa, por exemplo, devem continuar demonstrando uma recuperação de receita ainda lenta, enquanto as que vendem para a Ásia terão desempenho bem melhor.
As primeiras prévias de resultados operacionais referentes ao intervalo de janeiro a março confirmam as expectativas positivas. As vendas líquidas da rede de varejo Pão de Açúcar somaram R$ 6,9 bilhões nesse período, um aumento de 50,2% em relação a 2009. Excluindo o Ponto Frio, a evolução foi de 23,2%.
A companhia de varejo e têxtil Hering informou que sua receita bruta no primeiro trimestre cresceu 38,2% em relação ao mesmo intervalo de 2009, quando faturou R$ 169,2 milhões.
Eduardo Roche, analista da Modal Asset Management, também acredita que o primeiro trimestre será de evolução para quase todos os segmentos. "Pode ser uma comparação até perigosa, porque a base foi muita fraca. Tem que olhar o quarto trimestre de 2009 também." Por isso, ele destaca que as teleconferências sobre os balanços terão mais importância que os dados financeiros, para saber as projeções para os outros trimestres.
No caso das companhias de commodities, Oswaldo Telles, do Banif, explicou que o grande diferencial em relação ao primeiro trimestre de 2009 estará nos volumes vendidos. A preocupação é com o efeito do câmbio, uma vez que os aumentos de preço devem se refletir tanto em receita como em custo, especialmente a partir do segundo trimestre.
No setor de papel e celulose, contudo, o desempenho do primeiro trimestre já deve mostrar melhora significativa também nos preços, que vêm registrando recuperação desde o fim de 2009. Fibria e Suzano já fizeram ajustes no valor dos produtos vendidos neste ano. A Klabin, maior produtora de papelão ondulado do país, também deve mostrar no resultados a recuperação de preços dos segmentos em que atua.
Apesar da expectativa de melhora dos resultados, começa a ganhar força entre os especialistas e entre as próprias empresas a preocupação com o aumento dos custos e a consequente pressão sobre as margens. Porém, a expectativa é que, no geral, isso só apareça nos balanços a partir do segundo e terceiro trimestres.
Além das empresas de papel e celulose, as de minério e cimento, por exemplo, já elevaram os preços, contribuindo para o aumento dos custos da cadeia produtiva. As siderúrgicas devem negociar com o setor industrial para o repasse do aumento do aço, decorrente do expressivo reajuste no minério de ferro. "Na questão dos custos, a dúvida é se as empresas em geral conseguirão repassar os aumentos ao consumidor e em que medida poderão fazer isso", diz Luciana, da Ativa.
Um dos setores que mais preocupa do ponto de vista de custos é justamente o de construção, pela forte atividade do setor. As matéria-prima das empresas sofre efeito do aumento da demanda gerado também pelas obras de infraestrutura.
As vendas contratadas da PDG Realty, primeira empresa do setor a divulgar prévia operacional, apresentaram crescimento de 100,6% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2009, atingindo R$ 842 milhões. Na comparação com o trimestre anterior, o aumento foi de 11,8%, apesar de os três últimos meses do ano serem sempre mais fortes para o setor de construção.
"Os números apresentados reforçam as boas perspectivas não só para a PDG, mas para o setor como um todo", diz Cristiano Hees, analista da Brascan Corretora. Para ele, as construtoras estão capitalizadas e com condições financeiras de cumprir as projeções de lançamentos e vendas ambiciosas divulgadas para este ano.
"É um cenário bem diferente de 2007, quando as companhias não tinham caixa para construir e entregar o que prometiam", afirma. As estimativas das companhias apontam para um crescimento médio de 50% para os lançamentos imobiliários neste ano.
Com o crescimento econômico, as companhias voltadas a logística e infraestrutura também devem se beneficiar. O resultado prévio da Log-In Logística mostra isso. O volume de carga movimentada avançou 17,4% em relação ao mesmo período de 2009. "Os números reiteram o bom momento nos portos e a retomada do crescimento em navegação costeira e movimentação de contêineres", afirma a Link Investimentos, em relatório.
Fonte: Valor Econômico.
A expansão dos números deve ser generalizada e alcançar os vários setores da economia, das companhias ligadas ao consumo até as empresas de commodities. As exportadoras, contudo, devem ainda mostrar desafios importantes, pois a economia internacional não se recuperou na mesma velocidade que a doméstica, e o câmbio recuou fortemente de 2009 para 2010 - queda de 23%, para R$ 1,78.
"Os setores ligados ao PIB [Produto Interno Bruto], como varejo e consumo, vão ter forte expansão", destaca Oswaldo Telles, chefe de análise da Banif Corretora. "O ritmo atual é de crescimento de 8% da economia", acrescenta.
Entre as exportadoras, o mercado de atuação vai fazer diferença. Para Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora, as companhias que exportam para a Europa, por exemplo, devem continuar demonstrando uma recuperação de receita ainda lenta, enquanto as que vendem para a Ásia terão desempenho bem melhor.
As primeiras prévias de resultados operacionais referentes ao intervalo de janeiro a março confirmam as expectativas positivas. As vendas líquidas da rede de varejo Pão de Açúcar somaram R$ 6,9 bilhões nesse período, um aumento de 50,2% em relação a 2009. Excluindo o Ponto Frio, a evolução foi de 23,2%.
A companhia de varejo e têxtil Hering informou que sua receita bruta no primeiro trimestre cresceu 38,2% em relação ao mesmo intervalo de 2009, quando faturou R$ 169,2 milhões.
Eduardo Roche, analista da Modal Asset Management, também acredita que o primeiro trimestre será de evolução para quase todos os segmentos. "Pode ser uma comparação até perigosa, porque a base foi muita fraca. Tem que olhar o quarto trimestre de 2009 também." Por isso, ele destaca que as teleconferências sobre os balanços terão mais importância que os dados financeiros, para saber as projeções para os outros trimestres.
No caso das companhias de commodities, Oswaldo Telles, do Banif, explicou que o grande diferencial em relação ao primeiro trimestre de 2009 estará nos volumes vendidos. A preocupação é com o efeito do câmbio, uma vez que os aumentos de preço devem se refletir tanto em receita como em custo, especialmente a partir do segundo trimestre.
No setor de papel e celulose, contudo, o desempenho do primeiro trimestre já deve mostrar melhora significativa também nos preços, que vêm registrando recuperação desde o fim de 2009. Fibria e Suzano já fizeram ajustes no valor dos produtos vendidos neste ano. A Klabin, maior produtora de papelão ondulado do país, também deve mostrar no resultados a recuperação de preços dos segmentos em que atua.
Apesar da expectativa de melhora dos resultados, começa a ganhar força entre os especialistas e entre as próprias empresas a preocupação com o aumento dos custos e a consequente pressão sobre as margens. Porém, a expectativa é que, no geral, isso só apareça nos balanços a partir do segundo e terceiro trimestres.
Além das empresas de papel e celulose, as de minério e cimento, por exemplo, já elevaram os preços, contribuindo para o aumento dos custos da cadeia produtiva. As siderúrgicas devem negociar com o setor industrial para o repasse do aumento do aço, decorrente do expressivo reajuste no minério de ferro. "Na questão dos custos, a dúvida é se as empresas em geral conseguirão repassar os aumentos ao consumidor e em que medida poderão fazer isso", diz Luciana, da Ativa.
Um dos setores que mais preocupa do ponto de vista de custos é justamente o de construção, pela forte atividade do setor. As matéria-prima das empresas sofre efeito do aumento da demanda gerado também pelas obras de infraestrutura.
As vendas contratadas da PDG Realty, primeira empresa do setor a divulgar prévia operacional, apresentaram crescimento de 100,6% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2009, atingindo R$ 842 milhões. Na comparação com o trimestre anterior, o aumento foi de 11,8%, apesar de os três últimos meses do ano serem sempre mais fortes para o setor de construção.
"Os números apresentados reforçam as boas perspectivas não só para a PDG, mas para o setor como um todo", diz Cristiano Hees, analista da Brascan Corretora. Para ele, as construtoras estão capitalizadas e com condições financeiras de cumprir as projeções de lançamentos e vendas ambiciosas divulgadas para este ano.
"É um cenário bem diferente de 2007, quando as companhias não tinham caixa para construir e entregar o que prometiam", afirma. As estimativas das companhias apontam para um crescimento médio de 50% para os lançamentos imobiliários neste ano.
Com o crescimento econômico, as companhias voltadas a logística e infraestrutura também devem se beneficiar. O resultado prévio da Log-In Logística mostra isso. O volume de carga movimentada avançou 17,4% em relação ao mesmo período de 2009. "Os números reiteram o bom momento nos portos e a retomada do crescimento em navegação costeira e movimentação de contêineres", afirma a Link Investimentos, em relatório.
Fonte: Valor Econômico.
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