quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Obama defende eliminar benefícios fiscais para os mais ricos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quarta-feira em seu quarto discurso sobre a economia em seis dias a necessidade de eliminar os atuais benefícios fiscais para os mais ricos.

Em discurso em Cleveland (Ohio), uma das regiões menos desenvolvidas do país, Obama buscou promover seus planos para estimular a economia e atacar a oposição, já em clima de campanha eleitoral antes das eleições legislativas de novembro que se mostram complicadas para os democratas.

Embora tenha anunciado uma série de propostas para dar benefícios fiscais às empresas, dedicou a maior parte de seu discurso a criticar as propostas econômicas republicanas.

"Queremos voltar às mesmas políticas fracassadas que deixaram nossa economia na vala ou seguimos avançando com políticas que pouco a pouco nos tiram dela?", perguntou Obama.

O presidente se refere aos cortes nos impostos sobre o rendimento adotado pelo seu antecessor, George W. Bush, que expiram em dezembro.

Os republicanos, alguns democratas e vários economistas se declararam a favor de estender essa medida na esperança de ajudar a impulsionar o consumo e, com isso, o resto da economia.

"Não é responsabilidade fiscal. Não é um plano sério para governar", considerou Obama.

A Casa Branca rejeita perpetuar esses cortes para as rendas superiores a US$ 250 mil anuais para casais, ou US$ 200 mil para os solteiros.

Por outro lado, planeja tornar permanentes os benefícios fiscais para as rendas inferiores a esses valores que, segundo o Governo, correspondem a 97% dos americanos.

A rejeição a extensão dos cortes, assegurou, "não é para castigar os mais afortunados, é porque não podemos arcar com uma conta de US$ 700 bilhões.

O presidente americano revelou também sua proposta para fornecer incentivos fiscais às empresas que invistam em equipamentos e novas instalações, e que poderão reduzir os impostos em um só ano, até 2011, em cem por cento do investimento.

Segundo especialistas da Casa Branca, o plano terá um custo para a Administração de US$ 200 bilhões nos primeiros dois anos.

No entanto, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, indicou que o custo líquido será muito menor, de US$ 30 bilhões tomando uma base de 10 anos.

O discurso de hoje em Cleveland foi realizado dois dias de Obama anunciar um plano de investimento em infraestruturas ferroviárias avaliado, em pelo menos, US$ 50 bilhões.

Outro programa, avaliado em US$ 100 bilhões, dará incentivos fiscais às empresas que invistam em pesquisa e desenvolvimento.

No novo curso político, Obama optou por enfatizar a economia de modo quase absoluto diante da evidência de que, apesar do crescimento verificado nos primeiros meses do ano, a atividade econômica não decola.

Para piorar, a criação de empregos não aumenta e o índice de desemprego se encontra em 9,6%, uma taxa muito elevada para os EUA.

A desaceleração econômica vem em um momento politicamente sensível, apenas dois meses antes das eleições gerais de 02 de novembro, que vai renovar um terço do Senado e da Câmara dos Deputados.

No primeiro trimestre do ano, a maior economia do mundo cresceu 3,7%, impulsionada pelo plano de estímulo econômico que Obama iniciou logo após chegar ao poder, avaliado em US$ 814 bilhões.

Fonte: Agência EFE.

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